segunda-feira, 26 de maio de 2014

A Era das Revoluções - O Mundo Na Década de 1780 (continuação)

O mundo em 1789 era essencialmente rural e é impossível entendê-lo sem assimilar este fato fundamental.

Se na primeira parte de seu texto o autor afirmou que o mundo de 1780 era maior e menor que o mundo atual, nesta segunda parte ele ressalta o fato de sê-lo rural. Para tanto, cita alguns dados e lembra que até mesmo na Inglaterra, a população urbana só veio a ultrapassar a população rural pela primeira vez em 1851 (pg 28).

Em 1789, apenas duas cidades poderiam ser chamadas de "grandes": Londres, com cerca de 1 milhão de habitantes e Paris, com meio milhão. Depois delas, haviam cerca de 20 cidades com população de 100 mil ou pouco mais: duas na França, duas na Alemanha, talvez quatro na Espanha, talvez cinco na Itália, duas na Rússia e apenas uma em Portugal, na Polônia, na Holanda, na Áustria, na Irlanda, na Escócia e na Turquia européia.

Jacques François Joseph Swebach-Desfontaines (1769/1823) - Louis XVI Entrando em Paris, em 1789

Hobsbawm ressalta, porém, que havia uma divisão clara entre a zona urbana e a zona rural, seja nas funções, nos impostos, na vestimenta, ou até no próprio físico (os moradores das pequenas vilas eram mais altos, tinham raciocínio mais rápido e eram mais letrados). Mas, mesmo a prosperidade dessas cidades provincianas, vinha da zona rural.

Thomas Rowlandson (1756/1827) - Cena de Vila (1790)

O Inspetor Geral (1836), de Nikolai Gogol (1809/1852) provavelmente tinha, como pano de fundo, uma dessas pequenas cidades provincianas, cuja população podia variar entre 5 a 20 mil habitantes.



A Era das Revoluções - O Mundo Na Década de 1780

Parte 1 - Evolução

O Mundo na Década de 1780

"A primeira coisa a observar sobre o mundo na década de 1780 é que ele era ao mesmo tempo menor e muito maior que o nosso"

Por que E.H. começou seu livro com essa afirmação? Vejamos: primeiramente, ele afirma que o mundo de 1780 era "menor" que o nosso, porque ele era geograficamente desconhecido. Naquela época não se conhecia o fundo dos mares, o contorno de muitas áreas continentais e ilhas, o alto da maioria das montanhas e o curso da maioria dos rios. Além disso, a população daquela época era 1/3 menor que a atual, e não se "espalhava" por todos os lugares como hoje, mesmo porque o mundo de 1780 era mais frio e úmido que o atual, o que não encorajava esses avanços.

Mapa de Bowles - 1780

Além disso, os homens e mulheres de 1780 eram mais baixos do que somos hoje (tinham cerca de 1,50 m de altura). E haviam as doenças endêmicas, como a malária, que impediam que a população ocupasse todos os lugares (haviam pântanos e charnecas onde ninguém se atrevia a ir). Com isso, as pessoas ainda ocupavam muito pouco de tudo que poderiam, no mundo. mas, como a população mal crescia, isso não era um problema...

Os "baixinhos" do Século XVIII

Por outro lado, o mundo de 1780 era muito maior que o de hoje, se levarmos em consideração o tempo que se levava para ir de um lugar a outro, sejam pessoas, mercadorias ou até mesmo mensagens e notícias. Primeiramente, lembremos que a maior parte do transporte era por mar e rios. As estradas eram poucas, em relação às de hoje, e precárias. Além disso, haviam bandoleiros pelas estradas, o que inviabilizava muito o transporte terrestre. Assim, a maior parte era feita pela água. 

O difícil transporte do Século XVIII

Mas, mesmo por água, tudo era muito lento, em comparação com os dias de hoje. Uma carta, por exemplo, levava tempo para chegar ao seus destino. De Londres para os Estados Unidos, por exemplo, era uma vez por mês. Não é a toa que os estadunidenses quisessem libertar-se. Mas lembremos que, naquela época, a maioria das pessoas era analfabeta. Então, é surpreendente os 20 milhões de cartas que circularam pela França, no início das Guerras Napoleônicas...

Jean-Honore Fragonard - The Love Letter (1770/1780)

Por incrível que pareça, foi mais fácil transportar 44 mil pessoas, da Irlanda do Norte aos Estados Unidos, entre 1769 e 1774, do que 5 mil pessoas da Irlanda do Norte para a Escócia, em três gerações. A Queda da Bastilha só foi noticiada em Madri, Espanha, 13 dias depois. E as pessoas não tinham hábito de viajar: nascia-se e morria-se no mesmo local. O hábito de viajar e conhecer lugares só começaria no Século XIX. Nesse período, as pessoas ainda viviam em seus vilarejos, onde todo mundo se conhecia, nada era segredo e, muitas vezes, as notícias demoravam a chegar.

Cidade de Cheshire, Séc. XVIII

Esse era um dos aspectos do mundo em 1780: menor e maior que o nosso, em vários aspectos. O número de pessoas que se deslocava, conhecia outros lugares, e ajudava a circular as notícias era mínimo. Na maioria dos casos, a vida corria monótona, sem novidades ou sobressaltos. Quando havia alguma novidade, levava dias para chegar aos lugares mais distantes, e pouco afetavam o dia a dia das pessoas, muito ocupadas em seus afazeres rotineiros...é como Tolkien deve ter imaginado seus hobbits: distantes de tudo, e vivendo suas vidas sossegados. E quem atrapalhasse isso, mesmo que fosse morador da vila, deveria ser mal visto pelos demais...

Ainda hoje há pequenas vilas na Europa...

As Eras de Hobsbawm - Parte 1

Se Eric Hobsbawm é o maior historiador da atualidade eu não sei. Mas sei que é o meu preferido. Soube explicar muito bem a História, e numa linguagem simples. Isso não é pouco. Nasceu em AlexandriaEgito, em 09 de junho de 1917 e faleceu em Londres, em 01 de outubro de 2012. Escreveu muitos livros, mas pretendo me ater a quatro, que são meus preferidos: A Era das RevoluçõesA Era do CapitalA Era dos Impérios e A Era dos Extremos.


O primeiro deles, A Era das Revoluções, foi escrito em 1962. Abrange um período que vai de 1789 a 1848, e trata de duas revoluções, a Revolução Francesa e a Revolução IndustrialHobsbawm as trata como dupla revolução, pela proximidade e pela época, praticamente a mesma. Vamos analisar os capítulos do livro:


Prefácio: ele já começa explicando a utilização da expressão "dupla revolução", e que o livro trata dela. Que não se aprofundou sobre lugares que não tivessem grande influência dessa temática, nessa época. Ele também explica que não procurou uma linguagem rebuscada, preferindo a simplicidade e a explicação sem complicações. E que tem consciência de que o livro não explica tudo e não contém tudo, mesmo porque essa seria uma tarefa impossível, para qualquer um que queira escrever sobre o período.

Imagem representando a "dupla revolução"

Introdução: logo no início, Hobsbawm lembra algumas palavras que só ganharam significado após a "dupla revolução":

indústria, industrial, fábrica, classe média, classe trabalhadora, capitalismo e socialismo, aristocracia, ferrovia, liberal, conservador, nacionalidade, cientista, engenheiro, proletariado, crise (econômica), utilitário, estatística, sociologia, jornalismo, ideologia, greve, pauperismo...

De forma simples, ele lembra que somente com essas palavras, já podemos ter uma pequena ideia da importância que a dupla revolução de 1789/1848 teve, para a História da Humanidade. Essa é a ideia de revolução, que mudou e ainda muda o mundo, até hoje. Mas lembra que é importante separar o evento específico, de seus desdobramentos.:

A grande revolução de 1789-1848 foi o triunfo não da "indústria" como tal, mas da indústria capitalista; não da liberdade e da igualdade em geral, mas da classe média ou da sociedade 'burguesa' liberal; não da "economia moderna" ou do Estado moderno", mas das economias e Estados em uma determinada região geográfica do mundo (parte da Europa e alguns trechos da América do Norte), cujo centro eram os Estados rivais e vizinhos da Grã-Bretanha e França. (p. 16)

A dupla revolução teve consequências específicas, e não gerais...

Ele ainda denomina a dupla revolução como levante gêmeo e cratera gêmea, numa alusão a um vulcão. E termina esse parágrafo com a expressão triunfo do capitalismo liberal burguês. É interessante que conheçamos as diversas formas com as quais ele se expressa, até para compreendermos melhor a magnitude do processo revolucionário.

Na sequência, Hobsbawm retrocede ao período anterior à dupla revolução, e cita, entre outros momentos, a Revolução Gloriosa (1688) e o processo de independência dos Estados Unidos da América (1766), o qual ele chama de Revolução Americana.
A morte de Carlos I (acima) e o Boston Tea Party (abaixo) foram marcantes nas revoluções Gloriosa e Americana

Fonte: http://rhistoriandoz.blogspot.com.br/2013/06/as-eras-de-hobsbawm-parte-1.html 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Clube do Inferno

Criado por Chris Laremont e John Byrne em 1980, o Clube do Inferno é uma sociedade de vilões do Universo Marvel. Ele foi inspirado numa sociedade secreta real, do Século XVIII, o Hellfire Club (http://pt.wikipedia.org/wiki/Clube_do_Inferno).


Exteriormente, o Clube do Inferno é frequentado por elites de vários países. Mas, em seu interior, conta com inúmeros mutantes, que desejam dominar o mundo. Assim como no Inferno de Dante, o Clube do Inferno possui círculos internos. O primeiro Círculo Interno é também conhecido como Círculo dos Escolhidos, onde tem o Rei Branco, o Rei Negro, a Rainha Branca e a Rainha Negra, além de outras "peças de xadrez". Os mais famosos foram Ned Buckman e Donald Pierce (Reis Brancos), Emma Frost e Paris Seville (Rainhas Brancas), Sebastian Shaw (Rei Negro), Fênix e Selene (Rainhas Negras), Harry Leland (Bispo Negro) e Jason Wyngarde (Bispo Branco), Emanuel da Costa (Torre Branca), Friedrich Von Rohem (Torre Negra), entre outros.


O Círculo Interno tem sede em New York. Mas os outros círculos se espalham pelo mundo e são liderados por lords e ladyes imperiais.


sábado, 27 de abril de 2013

Guerras Secretas

Guerras Secretas (Secret Wars) foi um ciclo de histórias, publicadas nos EUA entre 1984 e 1985, e no Brasil entre 1986 e 1987:


Um alienígena, chamado Beyonder, reuniu um grande número de heróis e vilões, forçando-os a lutar entre si. O grupo vencedor teria seus desejos realizados.


Essa história teve 12 partes e envolveu os principais heróis da Marvel, sendo que alguns sofreram mudanças. Logo no início, houve uma briga entre os heróis, visto que Magneto ficou do lado deles. Por outro lado, a entidade cósmica Galactus ficou do lado dos vilões, o que é discutível:


Um dos personagens que sofreu alteração foi o Homem Aranha: ele recebeu um uniforme negro, e gostou tanto dele que o trouxe para a Terra. Mal sabia ele que, deste uniforme, surgiria seu inimigo Venon:


Os X-Men não se uniram nem a "heróis" e nem a "vilões" nessa série, preferindo ficar separados. E Tempestade também adotou um novo visual, mais radical:



O Coisa voltou à sua forma normal, e gostou tanto que ficou um tempo no planeta de Beyonder, depois das Guerras (nesse período, a Mulher Hulk o substituiu):


Nessa série foram criadas as vilãs Titânia e Volcana, e uma Skrull (Lyja) substituiu  Alícia Masters, namorada do Coisa:



Em futuros posts, falaremos mais de Guerras Secretas...


Mulher Hulk (1980/)

Jennifer Susan Walters, a Mulher Hulk (She-Hulk), foi criada em 1980 pela dupla Stan Lee (1922/) e John Buscema (1927/2002). Ela é prima, por parte de mãe, de ninguém menos que Bruce Banner, o Hulk.



Enquanto Banner estudou no Novo México, Jennifer estudou em Los Angeles, e se formou em Direito. Como sabemos, Banner se transformou em Hulk, em suas pesquisas. Muito tempo depois, ele visitou Jennifer, em Los Angeles. Nessa ocasião, ela estava numa causa onde o acusado era Nicholas Trask, que mandou matá-la. Jennifer foi atacada por gângsters de Trask e, atingida por uma bala, perdeu muito sangue. Banner fez uma transfusão de seu sangue para salvá-la. Depois, enviou a prima para um hospital e foi embora.



Mas os comparsas de Trask foram ao hospital, para terminar o trabalho. E, nessa ocasião, o sangue de Banner entrou em reação com o dela, e Jennifer se transformou na Mulher Hulk, pela primeira vez:



Mas, diferente de seu primo, Jennifer gostou de se transformar em uma gigantesca mulher verde, preferindo essa forma à sua original, mais frágil. Se mudou para New York e logo entrou na Equipe dos Vingadores, à convite da Vespa:



Nessa época, ela se envolveu num romance com o herói Starfox:



Também nessa época, os Vingadores lutaram contra Beyonder, nas Guerras Secretas. Quando voltaram, Jennifer se juntou ao Quarteto Fantástico, substituindo o Coisa, que ficou no planeta do Beyonder:



Nesse período, ela sofreu uma mutação que a impediu de retornar à forma humana, mas não se chateou por isso. E também se envolveu com Wyatt Wingfoot. Depois o Coisa voltou, e ela saiu do Quarteto:


Em seguida, Jennifer abriu um escritório de advocacia, foi parar em outra dimensão, substituiu o Visão nos Vingadores e passou a lutar só. Diferente de seu primo, ela mantém o intelecto, e parece até ter ficado mais decidida:




Prova disso foi seu envolvimento com o Fanático e Hércules:







segunda-feira, 22 de abril de 2013

Heróis e Super-Heróis

A palavra "herói" vem do grego e significa "protetor" ou "defensor". E é isso que um heróis faz: defende ou protege pessoas de outras ("vilões") ou monstros, dos quais a mitologia está cheia. Muitas vezes, essa "proteção" era atributo dos semideuses, que eram filhos de deuses e humanos. Os mais famosos são Héracles (abaixo) e Teseu.


Segundo Mark Waid, há uma grande dose de altruísmo nas atitudes dos heróis (e dos super-heróis): esse desejo de ajudar o mais fraco, aquele que está necessitando de ajuda, que não consegue desempenhar suas tarefas a contento, que está sendo agredido, violentado, roubado em seus direitos, é o sujeito certo para ser ajudado e protegido. E perceber que se pode fazer algo por esse sujeito, molda o caráter de um herói, que é quase um santo...


Mesmo sem o debate filosófico, o fato é que os heróis sempre estiveram presentes na literatura, no teatro, no cinema, em todos os lugares. Basta um bombeiro salvar um gato em cima da árvore, para alguém dizer que ele é um herói. Segundo Jung, o herói é um arquétipo, assim como o vilão...


E o super-herói alia esse altruísmo do herói a outros poderes, ou super-poderes, além de possuir um comportamento impecável: heróis (e super-heróis) não fumam, não bebem, não batem na mulher, não falam palavrão, não fazem gestos obscenos, não mentem, não se exaltam. Assim, eles são "super" não só pelos poderes que possuem, mas também por seu comportamento impecável:


Geralmente, os super-heróis possuem as seguintes características:

1 - Poderes/Habilidades extraordinários;
2 - Forte código moral;
3 - Motivação;
4 - Identidade secreta;
5 - Tema subjacente (o porquê do nome, da roupa, do distintivo, etc.);
6 - Elenco de apoio;
7 - Galeria de vilões;
8 - Base de operações;
9 - Financiamento;
10 - História explicativa.


Muitos super-heróis trabalham sós, mas outros preferem trabalhar em grupos, como os X-Men, os Vingadores, a Liga da Justiça, o Quarteto Fantástico e a Legião dos Super-Heróis, entre outros. Abaixo, super-heróis da Marvel e da DC Comics: